Deep Roots: Cultural Narrative Through Music in Brazil

Friday, February 6, 2015
9:00am – 10:15am
Rechler Conference Room 202, Lavin-Bernick Center (LBC)
Moderated by: Dr. Daniel Sharp, Department of Music, Tulane University

Songs for freedom: identidade racial e cidadania no Brasil (1884-1889)
Manuela Costa, Universidade Federal de Pernambuco

Propomos trazer algumas reflexões sobre participação política de afrodescendentes nos processos da abolição da escravidão e do pós-abolição no Brasil, por meio da análise da trajetória de militância abolicionista do músico Manoel Tranquilino Bastos. As experiências vivenciadas por esse músico de ascendência africana nos permitem pensar em outras possibilidades de lutas políticas e culturais entre os anos de 1884 e 1889. A música foi extremamente importante para a inserção de músicos afrodescendentes nos debates e nas lutas pela cidadania, afirmação racial e inclusão social, que marcaram esse período. As composições de Tranquilino Bastos tornaram-se símbolos da libertação dos escravos e ainda são lembradas nas comemorações da abolição da escravidão no Brasil, podendo ser entendidas como uma opção profundamente ligada às estratégias específicas de luta dos afrodescendentes. Para tanto, recorreremos ao conceito de “cultura política” a fim de resgatar as ações políticas de novos atores, ampliar e renovar as percepções sobre direitos, afirmação racial, cidadania e participação política. Entendemos que a atuação de pessoas comuns – jornalistas, músicos, operários, libertos, “homens livres de cor” e escravos – foi essencial nos processos da abolição e do pós-abolição. O trabalho a ser apresentado se insere exatamente neste contexto, por perseguir a trajetória de um homem comum, propaganda, música e abolicionismo, ampliando a compreensão sobre as lutas políticas e raciais na história social do Brasil.

Negritude Mestiça e fronteiras identitárias: a mestiçagem como vetor da negritude na música popular
Kywza Joana Fideles Pereira dos Santos, Universidade Federal de Pernambuco

A miscigenação no século XIX foi abordada no Brasil sob a influência do racialismo científico e do Iluminismo, com foco nas ambivalências do caráter da miscigenação, ou seja, tanto no viés da degradação da raça quanto no sentido de branqueamento e purificação. Na primeira metade do século XX, ainda em meio a essa ambivalência, o conceito de mestiçagem passa a figurar um projeto populista de identidade nacional, e, principalmente, depois dos escritos de Gilberto Freyre, com a celebração da mestiçagem. É preciso salientar que, a mestiçagem brasileira opera num sentido paradoxal, a celebração e a negação. Dentro dela há uma escala determinante que dita os lugares e papéis sociais, a cor, ou melhor, as nuances dessa cor. No Brasil, o campo das disputas simbólicas em torno das identidades encontrou sua tradução mais fiel na música popular. Nesta perspectiva, destacaremos seu papel na consolidação e subversão da ideia de mestiçagem. A música popular será um grande nicho de disputas, ausências e permanências das identidades racializadas. Ora a mestiçagem será acionada como valorização da cultura e/ou celebração da identidade nacional, ora como afirmação estética ou como crítica à conjuntura de pretensão democrática. Nesse sentido, tentarei, a partir da música popular, vislumbrar as diversas práticas discursivas em torno da mestiçagem através de três intérpretes (e compositores), que têm suas canções marcadas pelos discursos de mestiçagem: Clara Nunes, Martinho da Vila e Gilberto Gil. Desse modo, abordaremos os entrelaçamentos identitários, problematizando questões em torno das concepções de raça, classe e identidade e suas ressignificações no contexto da sociedade de consumo. Nesse contexto, abordaremos os diálogos diaspóricos, através de acionamentos temáticos, que constituem e delineiam os processos culturais transnacionais e trans-étnicos. Para tanto, utilizaremos a obra de artistas situados no nicho do mainstream que extrapolam os entrelaçamentos conceituais, discursivos e poéticos, tensionando as fronteiras identitárias.

“Jequibau – música e identidade paulista”

Daniel Vilela, Universidade Federal do Paraná

Diversos foram os fatores e as investidas ao longo da história brasileira que alçaram o Samba à posição de expressão musical nacional de maior representatividade dentro de um rico quadro multicultural. Diante da valorização deliberada de um gênero em detrimento das músicas locais, manifestações regionais acabaram desestimuladas e passaram a depender de iniciativas pontuais para sobreviverem. Outras, ao apresentarem inovações à vertente musical afro-brasileira que tem por principal expoente o Samba, tiveram que atravessar as desconfianças naturais do público e da crítica conservadora. A Bossa Nova, por exemplo, enfrentou os argumentos mais nacionalistas e xenófobos que a acusavam de promover a americanização da música brasileira, para posteriormente galgar seu espaço definitivo enquanto gênero. No entanto, nem todas as manifestações musicais atingiram o mesmo êxito bossanovista ao proporem inovações à tradição historicamente construída. Este é o caso do Jequibau. Gênero criado por Mário Albanese e Cyro Pereira em meados da década de sessenta, na cidade de São Paulo, o Jequibau se constrói em um compasso quinário (de cinco tempos) que se soma ao típico “balanço” da música brasileira. Contudo, sua divulgação foi prejudicada por um contexto político e social conturbados, pela difícil inserção da música essencialmente instrumental e de caráter inovador na indústria midiática e pelas inevitáveis comparações ao Samba e à Bossa Nova, que geraram as alcunhas de “Samba em Cinco” e “Bossa em Cinco” e lhe atribuíram papel secundário em pesquisas, sendo que meu mestrado é o primeiro a se dedicar exclusivamente ao estudo deste tema. O fato é que o Jequibau surgiu da necessidade, enxergada por seus criadores, de uma expressão musical paulistana que traduzisse e sintetizasse a pluralidade que é a marca da cosmopolita São Paulo. Assim, este trabalho se dedica a refletir acerca de como as características desta cidade são identificadas no gênero, que hoje possui sua data celebrada anualmente em 13 de Agosto.

Identity in Art: Constructions and Negotiations of Race

Friday, February 6, 2015
10:30am – 11:45am
Rechler Conference Room, Lavin-Bernick Center (LBC)
Moderated by: Dr. Mia Bagneris, Department of Art History, Tulane University

The Other Shore: reviewing the exodus of Cuban visual artist within the Mariel boatlift
Jimena Codina, Tulane University

In 1980, between the months of April and October, about 125,000 Cubans emigrated legally from Cuba to the United States through the port of Mariel. This event impacted not only the history of Cuba but also the history of Cuban immigration, and the relations between the United States and the island. Among the thousands of Cubans who emigrated, many were artists: writers, musicians, and visual artists (mainly painters). Some of these visual artists became visible in the context of galleries, art exhibitions and journals in the United States, specifically in Miami. Despite the differences in the background and scope of these artists, and despite the contrasts in their respective careers once they emigrated to the United States, they were bound together by the common experience of immigration to the U.S. through Mariel, they all came to form the Generation of Mariel, and this, in turn, impacted the content of their work and their artistic career. Considering the processes and effects of the Mariel boat-lift on the Cuban artist community will help to understand better the intersection of grand historical processes and the production of culture, and how these artists negotiate both the grand historical narratives and their own migratory experiences through their work.

100 Years of Lies: Images of Brazil’s Unified Black Movement
Briana Royster, Ohio University

Using posters created by Afro-Brazilian activists in 1988, this presentation will provide a preliminary investigation into the U.S. influences on the Unified Black Movement (MNU), while revealing Brazil’s unique history of race relations and how activists captured that history within its political posters. Scholars have studied the U.S. Civil Rights Movement from many perspectives, including its leaders, the role of women and students, and its place as a catalyst for later movements in the U.S. like the Women’s Rights Movement and the Chicano Movement. Less studied are the transnational effects of the Civil Rights Movement in other countries such as Brazil. Brazil and the United States have a history of cross-cultural exchange, one that includes the social and political movements of people of African descent. African American activists in the United States were one inspiration for the Unified Black Movement (MNU) during the last quarter of the twentieth century in Brazil. Brazil’s contemporary black movement began in the 1970s in an effort to end the myth of Brazil as a “racial democracy.” A key component to the MNU’s strategy involved visually representing the importance of black heritage and culture. With a reliance on their rich African history and images from the US Black Power Movement, Afro-Brazilian activists created posters and artwork to foster a consciousness about the racial problems in Brazil. Although motivated by what they saw in the United States, activists also remained aware of many other movements, including African independence movements. The MNU developed an artistic campaign unique to Brazil’s history of racial hegemony and worked diligently to improve the conditions of Afro-Brazilians. Using interviews and artwork (mostly in the form of posters) this presentation will elaborate on the similarities and differences between the two sets of images, giving rise to an analysis of the movements themselves.

Dissecting Identity through Dissolution: Guillermo Gomez-Pena and the Performance of the Poetic Overstatement
Alexandra Santana, Tulane University

The purpose of this project is to examine how contemporary performance artist Guillermo Gómez-Peña uses a mixture of invented language and aesthetic media as deconstructive instruments in his artwork in order to question rigid notions of social identity. The project is also an examination of his use of the internet as an aesthetic medium, both literally and figuratively, in his performances. The use of the non-identity (or anonymity) of a digitized subject in his work allows for a more reflective examination of subaltern and marginalized social identities, and thus provides a possible space for the mobilization of marginalized artistic audiences. More specifically, however, I question if the conceptual fracture of social identity through digital means truly attempts to “fight against cultural, artistic, and political isolationism”? (La Pocha Nostra) Through a formal analysis of several key performances, I argue that Guillermo Gómez-Peña’s use of an imagined, yet recognizable poetic cyberlanguage dissolves the borders, both physical and intangible, between traditional boundaries of cyberculture and social identity.